A preservação ambiental não é uma pauta do futuro, mas sim uma urgência do presente. Décadas atrás, ativistas como Chico Mendes alertavam sobre os riscos da exploração desenfreada dos recursos naturais. Ele defendia que a floresta em pé era sinônimo de vida e sustentabilidade para as comunidades. Pagou com a própria vida por essa causa, mas sua luta continua, pois os desafios ambientais só se agravaram desde então.
A crise climática deixou de ser um alerta distante para se tornar uma realidade concreta. Em 1992, a ECO-92 reuniu líderes mundiais no Rio de Janeiro para discutir os impactos do desmatamento, do aquecimento global e da exploração predatória. Na época, ainda criança, eu já sentia essa preocupação e escrevi um trabalho escolar com o tema: "Florestas são como crianças: se bem cuidadas, serão nosso futuro", Desde então, essa luta passou a fazer parte da minha vida.
Hoje, em Teixeira de Freitas, enfrentamos desafios que exigem ações urgentes. Entre os bairros Teixeirinha e Colina Verde, existe uma nascente de água mineral com uma vazão impressionante de 60 mil litros por hora. Esse recurso natural inestimável, se estivesse nas mãos de empresas privadas, provavelmente já estaria sendo explorado comercialmente. Grandes corporações como Nestlé, Coca-Cola e Pepsi vêm adquirindo fontes de água pelo mundo, transformando um bem essencial em mercadoria.
Além disso, os dados climáticos revelam um cenário preocupante. O professor Agnaldo, da Universidade Federal do Espírito Santo, apresentou estudos mostrando que, nos últimos 30 anos, o Extremo Sul da Bahia e as regiões vizinhas perderam cerca de 375 milímetros de chuva em média. As estiagens estão mais longas, e a temperatura média tem aumentado significativamente. O impacto disso se reflete diretamente em nossa segurança hídrica.
Outro ponto crítico é a intervenção no Parque da Biquinha. As obras recentes, incluindo a canalização da água da chuva para o Córrego Charqueada, podem acelerar a degradação desse recurso. Sem um manejo ambiental adequado, corremos o risco de perder uma fonte histórica e essencial para o equilíbrio ecológico da cidade.
A situação do Rio Alcobaça também exige atenção. A nascente desse rio, localizada no distrito de Monte Castelo, em Minas Gerais, vem sofrendo com a redução do fluxo de água. A retirada excessiva para irrigação de pastagens e lavouras, especialmente na Bahia, está comprometendo o curso do rio. Em 2023, registramos uma das maiores mortandades de peixes entre Medeiros Neto, Teixeira de Freitas e Alcobaça. Esse desastre impactou o abastecimento de água e, até agora, nenhuma ação efetiva foi tomada para reverter a situação.
Diante desse cenário, um projeto de construção de uma barragem entre Medeiros Neto e Teixeira de Freitas foi proposto como solução. Mas precisamos ir além de medidas paliativas. Sem políticas de preservação e recuperação das nascentes, estaremos apenas postergando um problema que se agravará com o tempo.
A água é nosso recurso mais valioso. Se não protegermos nossas fontes naturais agora, enfrentaremos uma crise sem precedentes em um futuro muito próximo. Precisamos de ações concretas para preservar o Rio Alcobaça, proteger as nascentes e garantir que Teixeira de Freitas tenha água de qualidade para as próximas gerações.
Como dizia Luiz Gonzaga em seu "Xote Ecológico": "Não posso respirar, não posso mais plantar, a terra está morrendo, não dá mais pra plantar... Nem Chico Mendes sobreviveu".
O momento de agir é agora. O futuro de nossa cidade depende das escolhas que fazemos hoje.